Projeto de Voluntariado Ambiental: Site sobre o
Parque Natural Municipal de Nova Iguaçu / RJ
 
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A dissertação de mestrado: "Ordenamento da malha de trilhas como subsidio ao zoneamento ecoturístico e manejo de visitantes no Parque Natural Municipal de Nova Iguaçu" teve como foco organizar os diferentes e variados acessos ao PNMNI em roteiros, através da aplicação metodologia ROS e conceitos de conservação como fragmentação florestal, riqueza biodiversa e valoração ambiental.

 

O ROS caracteriza as oportunidades de recreação como a combinação de ambientes e experiências prováveis, categorizando-as em seis classes, definidas por critérios como grau de modificação do meio, acessibilidade, oportunidades de
interação social e controles administrativos.
 

"

Neste sentido, a sugestão encaminhada a direção foi a criação de duas grandes áreas, para consolidar o zoneamento teritorial ambiental previsto no plano de manejo (uma area para visitação livre e uma área para visitação controlada) e ainda, a correção de uma condição desfavorável ao manejo de uma unidade de conservação integral que é a fragmentação da zona primitiva pelo terço final da Estrada da Cachoeira, tida como zona de uso extensivo.

 

Infelizmente o PNMNI, embora legalmente seja um Parque Natural, previsto no SNUC como unidade de conservação integral com visitação controlada atraves de um zoneamento efetivo, sofre com a inobservância de parâmetros básicos de conservação, fato grandemente influenciado pela midia que o promove muito mais acerca de supostas possibilidades de grandes aventuras em trilhas e rapel, do que em função de sua diversidade geológica e biológica. Aparentemente, é ignorado sistemáticamente a condição de reserva de Mata Atlântica, a qual possui muitas espécies endemicas, tanto da flora quanto da fauna, muitas vulneráveis ou em vias de extinção.

 

Um outro ponto a se destacar é a necessidade urgente de pesquisas complementares acerca da diversidade biológica do PNMNI. Os levantamentos apresentados no Plano de Manejo são inconsistentes e apresentam grandes lacunas, o que impede as sucessivas administrações de avaliar adequadamente os impactos no patrimonio genético em função da falta de indicadores confiáveis, tanto nas areas de uso público quanto nas dinamicas ecológicas advindas das interações com o restante do Maciço e as intefaces urbanas.

 

Cabe destacar que, recentemente, atraves das pesquisas "Diversidade dos Morcegos e Quiropterocoria no Parque Municipal de Nova Iguaçu, Rio de Janeiro, Brasil. (Mammalia, Chiropera) já foram identificadas 22 espécies de quirópteros, sendo duas (Lonchophylla bokermanni e Platyrrhinus recifinus) constantes no Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção; assim como 21 espécies de mamíferos terrestres, com destaque para o tamanduá-mirim (Tamandua
tetradactyla), Cachorro do Mato (cerdocyon
thous), Rato narigudo (Oxymycterus dasytrichus) , saendo que algumas espécies não estão listadas no plano de manejo.

 

Já a pesquisa Revisão da Lista de Avifauna do PNMNI, identificou que embora o Plano de Manejo liste 154 espécies de aves, destas, Orthogonys chloricterus e Euphonia violácea aparecem duplicadas, e Pyriglena leuconota, é relacionada embora sua área de ocorrência não tenha nenhuma relação ou proximidade com a região geográfica em questão. Outras 15 espécies listadas no PNMI foram consideradas como de ocorrência improvável no parque por razões ecológicas e biogeográficas.

 

Nesta fase preliminar, foram identifcadas 147 espécies, salientando que 32 espécies são consideradas
bioindicadoras de conservação e 59 espécies não estão
listadas no atual plano de manejo. Paralelamente está sendo conduzido o projeto voluntario de levantamento fotográfico da avifauna do parque.(+)

 

 

O Parque Natural Municipal de Nova Iguaçu faz parte da APA do Gericinó-Mendanha, uma área  de 10.500 hectares considerada Reserva da Biosfera pela UNESCO em 1996. Foi criado em 5 de junho de 1998 pelo Decreto nº 6001 e abrange uma área de 1100 hectares e sua altitude oscila entre 150 mt na entrada da unidade e 956 mt no marco sudoeste, próximo ao pico do Gericinó. Localiza-se na área conhecida como Gleba Modesto Leal, inserida na parte ocidental da Serra do Madureira. O parque é administrado pelo Município de Nova Iguaçu, mas com a emancipação de Mesquita, a estrada da Cachoeira, de acesso e a entrada do Parque ficaram situados no novo município.
 
A cobertura vegetal está representada pela Floresta Ombrófila Densa Submontana e Montana, com altitude variando entre 150 e 956 mts. Em levantamento preliminar do plano de manejo em 1998, foram identificadas 17 espécies de peixe no Rio Dona Eugênia e em suas matas: 198 espécies vegetais, 31 espécies de invertebrados, 02 de anfíbios, 09 de répteis, 12 de mamíferos e aproximadamente 154 de espécies de aves.
 
Além de remanescentes da Mata Atlântica, o Parque abriga valores históricos e culturais como a sede da Fazenda Dona Eugênia (conhecida atualmente como casarão, construído no final do século XIX, as ruínas do clube Dom Felipe,  que funcionou até meados da década de 1960, que já indicava a vocação para lazer na natureza da área; e o Quilombo, área de ocupação quilombola perto da pedra da Contenda.
 
Cabe destacar ainda os inúmeros locais representativos da história geológica da região. que motivaram a descoberta do vulcão de Nova Iguaçu e a criação do primeiro geoparque do estado do Rio de Janeiro e a inclusão do PNMNI no  projeto Caminhos Geólogicos idealizado pelo Departamento de Recursos Minerais do Estado do Rio de Janeiro - DRM-RJ, com o propósito de trazer a cultura da Geologia para o Estado.
 
A diversidade de oportunidades de lazer proporcionadas pelos poços e cachoeiras do rio Dona Eugênia e pelas trilhas em seus vales e grotões, conferem 02 estações bem definidas: no verão, com as altas temperaturas o maior afluxo se concentra nos banhos e caminhadas matutinas. No inverno, com as temperaturas mais amenas, o forte são as caminhadas pelas trilhas. Cabe destacar que a rampa de vôo livre, embora tenha seu acesso pela estrada do Itamar, faz parte do parque.
 

 

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